Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

O que tenho a dizer

A noite está viva. Canta e enfeitiça o interior do meu negro ser. Sinto a sua melodia como um sopro de vida em cada célula morta deste corpo. O meu Nome é Janus Moonhunter. Tenho 600 anos e pertenço à descendência dos filhos de Nemphis. Somos especiais pois podemos moldar o corpo da forma que desejarmos, dentro de algumas limitações claro. No entanto, nunca seremos capazes de mudar aquilo que somos verdadeiramente. Filhos da noite, criaturas das Trevas, fugitivos da luz. Vampiros.

Existimos há séculos, alimentando-nos de outros seres humanos, bebendo o seu sangue, que, em cada gota nos faz sentir vivos. Não é algo de honrado como deves pensar, mas creio que qualquer predador se ausenta de questões morais quando caça e mata para sobreviver. É a ordem natural das coisas, como gosto de pensar. Não nascemos assim, apesar de alguns de nós teorizarem que este “ser” já existia dentro de cada um, adormecido, à espera do momento certo para o seu despertar. Talvez sejamos apenas o próximo passo na evolução do homem, melhores, mais fortes, mais… perfeitos. Ou um retorno ao primitivo, à besta interior que dominava cada dia, e procurava incessantemente por uma nova presa, pela emoção da caçada, pela sua justa recompensa… em “vitae”.

Existe um momento, que todos os seres da noite nunca esquecem. A sua “morte”. Por mais anos, décadas os séculos que passem, todos os acontecimentos que precederam o seu “novo nascimento” estão permanentemente gravados na memória de cada vampiro. Na minha perspectiva, marcam um rito de passagem, para uma viragem no modo de vida. Esta é minha história.


publicado por nocturnus às 13:42
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